“A águia e a galinha” em Mogi Mirim
O autor relaciona os desafios apontados pelo teólogo Leonardo Boff em seu livro "A águia e a galinha" e os desafios atuais de Mogi Mirim

Recentemente tivemos duas importantes iniciativas e que podem desencadear caminhos estruturantes para a nossa cidade. O convênio entre a Santa Casa de Mogi Mirim e a Faculdade “Professor André Franco Montoro” de Mogi Guaçu e a parceria entre a prefeitura e a Faculdade Santa Lúcia para a apresentação de um projeto de uma faculdade de medicina em nossa cidade.
O nobre leitor, me permita uma breve reflexão antes de entrarmos no tema em si. O teólogo Leonardo Boff magistralmente em seu livro “A águia e a galinha” nos fala sobre duas dimensões da alma humana e a importância de tempos em tempos darmos vazão a uma outra dimensão. A dimensão “galinha” como sinônimo da rotina diária e a dimensão “águia”, dos grandes planos organizadores de vida.
Em nossa caminhada diária diversas vezes nos atentamos mais as coisas banais e cotidianas do que a fatores estruturantes e que tem substancial poder de mudança em nossas vidas. Não foi diferente nas notícias recentes, o grande debate se deu em torno dos semáforos inteligentes instalados na cidade. Gente reclamando de um lado, elogiando do outro, oposição querendo faturar em cima e o governo se mobilizando para defender a alteração. Claramente o aspecto “galinha” se sobressaiu.
Logo, quero jogar luz aqui sobre o porquê as parcerias na área da saúde são estruturantes e o aspecto “águia” das notícias recentes que acabaram ficando de lado.
Acredito que se quisermos voltar a ter relevância em nosso estado devemos nos unir regionalmente e sobretudo agir junto com Mogi Guaçu. Pensarmos como um único aglomerado urbano de 250 mil pessoas, reforçando sinergias e parcerias, pois a divisão entre nós reforça a liderança de outras cidades.
São João da Boa Vista, por exemplo, menor que ambas as cidades se aproveita maciçamente de nossa divisão, é sede de um campus da Unesp, do Instituto Federal, do departamento de saúde estadual e de uma diocese da Igreja Católica. Logo, reforçar a faculdade Franco Montoro e a Santa Casa de Mogi Mirim é estratégico para toda a Baixa Mogiana, pois reforça os nossos laços e traz o dinamismo econômico para cá.
Da mesma forma, a escola de medicina em Mogi Mirim também reforça nossa região como local de produção de conhecimento no Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS), um plano colocado em prática pelo Governo Lula que visa diminuir a dependência de insumos e medicamentos importados ao mesmo tempo em que eleva a qualidade do serviço prestado pelo SUS.
Em nossa região, temos vários elementos que nos colocam em posição estratégica para esse complexo, temos escola de medicina, hospitais públicos e privados abertos à essas parcerias e empresas de ponta como o laboratório Cristália e a Baumer na produção de medicamentos e insumos médicos.
Precisamos mapear, organizar e articular esses atores para assumirmos a relevância desse setor regionalmente, gerar empregos e desenvolvimento na Baixa Mogiana, esta é uma fundamental tarefa para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para o governo que se iniciará em 2025. É chegada a hora de olharmos como águia.
Gabriel Araújo é economista, artigo originalmente publicado na edição de 01/02/24 do Jornal O Impacto.


